5.1.26

livros, 2025

the book of love - kelly link

Thomas has spent much of his long life in various shapes and forms. [...] He prefers, now, to remain human. The human body is nourishment to the hatred that sustains him. A star-nosed mole or a bat or a fox, all things he has been at times, is too easily distracted. Sensation blots out reason and unreason, too. [...]

Thomas wonders sometimes about Anabin, who, Malo Mogge says, greatly perplexed, is always only himself. All of these centuries unchanged. What thing can he not bear to give up? That he changes not lest he risk it being changed as well?

Though even Anabin must be something other than what he once was. Not to change is also to change, of course.




a terra dá, a terra quer - antônio bispo dos santos

Ecologia é uma palavra utilizada pelos acadêmicos. No quilombo, não existe ecologia, existe a roça de quilombo, a roça de aldeia, a roça de ribeirinho, a roça de marisqueiro, a roça de pescador, a roça de quebradeira de coco. Por que a academia usa a palavra ecologia, e não agricultura quilombola? Por que não usa roça indígena? As universidades são fábricas de transformar os saberes em mercadoria e a agricultura quilombola não é mercadoria. Mas os saberes considerados válidos são aqueles que a universidade converte em mercadoria.




o invencível verão de liliana - cristina rivera garza (trad. silvia massimini felix)

Viver em luto é isto: nunca estar sozinho. Invisível, mas evidente de muitas maneiras, a presença dos mortos nos acompanha nos minúsculos interstícios dos dias. [...] Eles estão sempre lá, estão sempre aqui, conosco e dentro de nós, e fora, envolvendo-nos com seu calor, protegendo-nos das intempéries. Esta é a tarefa do luto: reconhecer sua presença, dizer sim à sua presença. Sempre há outros olhos vendo o que vejo, e imaginar esse outro ângulo, imaginar o que os sentidos que não são os meus poderiam apreciar através dos meus sentidos é, considerando todas as coisas, uma definição pontual do amor.

O luto é fim da solidão.




bebê tem fascinação por lâmpadas - julia raiz

Bebê está cada vez mais selvagem, corre por fora do que chamam de civilização, nos morde, arranha, segura nossos lábios com os dedos e torce, testa a força do nosso cabelo, e mais tantas outras pequenas torturas que aguentamos com dor e achando graça. Quando Bebê finalmente dorme, saímos do quarto com cuidado como se estivéssemos escapando de um sequestro, mais uns passos e estaremos livres, cruzamos o batente como a um deserto, como a uma fronteira. Às vezes gostaríamos de deixar esta Terra e Bebê para trás, mas sem Bebê temos, somos pouco.




somos animais poéticos - michèle petit (trad. raquel camargo)

Pois não habitamos números, tampouco as palavras estigmatizantes das mídias ou das políticas que se referem às pessoas como um amontado de "problemas sociais". Não habitamos a língua dos boletins informativos com seu lote de horrores e suas frases convenientes para passar de uma catástrofe a outra. [...] Habitamos uma língua próxima ao corpo, às sensações, atenta aos detalhes da realidade que evoca, que abre espaço para outros lugares além do imediato, um passado ou um futuro imaginado, formado em parte de sonho. Pois a realidade precisa de fantasia para ser desejável. Porque esssa parte imaginada, invisível, é vital.



menção honrosa para: medea me cantó un corrido, dahlia de la cerda; a ilha de arturo - elsa morante (trad. roberta barni); mau hábito, alana s. portero (trad. be rgb); o livro de fazer livros (cecilia arbolave)

tudo isso & muito mais no @prefiroporescrito

ps. desculpem o atraso, ó, possíveis antigos espíritos que ainda aparecem por aqui. viajei no fim do ano & esqueci de levar os rascunhos das listas comigo. as demais categorias virão nos próximos dias.

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