Another belief of mine: that everyone else my age is an adult,
whereas I am merely in disguise.
whereas I am merely in disguise.
[Margaret Atwood, Cat's eye]
é engraçado (mas não engraçado-haha, o outro engraçado) como isso aqui é um pedaço de tempo congelado. se quero visitar a eu de 10 anos atrás é só entrar na galeria, segurar o meu sigilo e invocar que ela vem correndo, aos pulos. é um fóssil animado, um holograma, uma tecnomagia. se não tivesse servido pra mais nada (e serviu pra muito, serviu pra tudo), o macbitch ia se justificar só por ser minha tardis particular, presa no espaço-tempo de mil kellys.
mas! eis-me aqui de regresso.
pensei que daqui a outros dez anos a eu-futura vai querer saber da eu-agora, e vai ter que fazer arqueologia em outros lugares, talvez menos diretos. (minhas estantes, minhas pastas de fotos, meu tumblr, minha prateleira de temperos). não que aqui seja superdireto. relendo a vida, vejo o quão abstrato pode ser o retrato dela. pouco tem aqui do meu dia a dia, assim, na lata. mas quando eu releio um poema, um reclaminho, um suspiro, qualquer frase obtusa, o reflexo do-que-era me é nítido como uma janela desembaçada aos poucos, a esfregão de dedo.
aí cheguei, de mansinho, como quem entra gelado embaixo da coberta com cuidado pra não acordar outro-alguém. porque a vida merece, pede registro. e como não atender esse pedido? (loud! loud! loud! loud i call to you, my love)
mas! eis-me aqui de regresso.
pensei que daqui a outros dez anos a eu-futura vai querer saber da eu-agora, e vai ter que fazer arqueologia em outros lugares, talvez menos diretos. (minhas estantes, minhas pastas de fotos, meu tumblr, minha prateleira de temperos). não que aqui seja superdireto. relendo a vida, vejo o quão abstrato pode ser o retrato dela. pouco tem aqui do meu dia a dia, assim, na lata. mas quando eu releio um poema, um reclaminho, um suspiro, qualquer frase obtusa, o reflexo do-que-era me é nítido como uma janela desembaçada aos poucos, a esfregão de dedo.
aí cheguei, de mansinho, como quem entra gelado embaixo da coberta com cuidado pra não acordar outro-alguém. porque a vida merece, pede registro. e como não atender esse pedido? (loud! loud! loud! loud i call to you, my love)
2 comentários:
Nos últimos anos (hoje incluso), só vinha aqui em dezembro, pra não perder as listas. Foi você que uma vez compartilhou o coro dos reclamantes de Helsinki?
"Se você escreve tudo completo e com regularidade, fica com uma sensação boa, uma sensação de autopreservação, por assim dizer: você preserva toda a sua vida e, anos mais tarde, ao reler, pode achar aquilo não desprovido de fascínio". O Olho, Nabokov.
sempre venho dezembro, mas depois dessa sua biscateada...
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