26.2.11

sorrow is a girl inside my cake

sabe o que me impressiona? pessoas que passam o dia falando no telefone. especialmente na frente de outras pessoas aleatórias. tipo gente falando esquizofrenicamente no foninho do celular, discutindo no meio da rua com o nada.

eu, particularmente, abomino usar o telefone. qualquer alma que vá lá em casa bem sabe que fica a cargo da visita ligar pro digue-pizza. sim, já usei telefone horrores, quando era pobre estudante longe de família e do amado, mas era uma coisa tipo sentada no cantinho no escuro à meia-noite, entende? fazia parte da tríade dor-angústia-sofrimento. apenas de custar vinte-e-cinco-centavos-de-tim-para-tim, não tenho forças pra ligar pro vagabando em momentos de angústia, por exemplo.

no meu trabalho tem gente que passa o dia ligando para meio-mundo. for realsies. seja pra fofocar e encher o saco de família & amigos ("mas o fulano foi lá? eu disse pra ele não ir!" etc.), seja para mistério total que dura horas(!) de cochichos. o que será que tanto têm para falar? fico intrigada. e tudo bem falar no meio do mundo todo? enfim.

eu às vezes acho que falo demais no tuíter, por exemplo. outras fico caçando o que falar pra ter coisa pra escrever aqui, escrevo, fico com vergonha-mor & deixo post em rascunho eternamente. como esse deveria ficar.

será que todo mundo tem muito mais assunto do que eu, assim, na vida?

li um coiso do rubem alves esses dias. falando de escrever ou de contar histórias, já não me lembro direito. de-todo-modo: a moral é que recontar é reviver (uau), ou melhor, forçar o outro a viver o teu viver. leitor que é leitor vai ter me imaginando adolescente sentada no escuro no telefone & afins.

no fundo, eu não sei se quero que os outros vivam isso, que eu vivo na cabeça. nem eu quero. acho. aí não falo.

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