3.7.10

and sunday always comes too late.

domingo oito e quinze da manhã acordo vejo o sol fraco as horas no celular me cubro durmo de novo. nove e trinta e sete acordo de novo vou no banheiro volto pro quarto e percebo que ao invés de estar sozinha num quartinho bege acordei num universo paralelo em que você ainda me ama.

tudo parece igual mas vagamente distorcido, o guarda-roupa é bem maior, tem um daqueles negócios redondos na janela, de caçar sonhos, as paredes são mais escuras, a cortina mais clara, e na cama ainda pequena você dorme virado pra lá. reconheceria seus cabelos em qualquer lugar, qualquer posição, qualquer luz ou falta de.

devagar sento na cama pra não te acordar, não me acordar, me apoio no travesseiro que dividimos e deixo meu cabelo se misturar com o seu. seus lábios entreabertos suspiram um pouco, os meus muito mais. deito e encaixo meu corpo atrás do seu, você se mexe um pouco (estou fria?) mas não acorda, te abraço aquele abraço de um braço só que é tudo que a cama permite.

sinto seu cheiro, beijo seu ombro, fecho os olhos mal-e-mal. sinto você se virar devagar, enrolado em sono, e sua testa encosta na minha. não abro os olhos. chego minha boca a milímetros de onde a sua deve estar, em algum lugar da manhã.

alguma coisa morna percorre meu corpo todo, por baixo da pele, por dentro dos ossos, por trás das pálpebras. não sei se amor ou sono, e durmo.

No comments: