20.11.09

nevermore

agora que estou saindo do trabalho, toda hora penso 'é a última vez que...' vou em reunião com essas pessoas, faço prova pros outros, imprimo esse formulário, entrevisto um professor, monto cronograma etc.

quando viajo, é a mesma coisa. tenho vontade de forçar os olhos abertos à la clockworkorange & minha cabeça só repete 'é a última vez que...' você come croissant, atravessa essa ponte, anda de tram, sobre estas escadas, dorme nessa cama, encosta nessas pedras.

até aí, ok. mas eu sei, e não precisa nem ser muito lá no fundo, que não adianta nada, que ainda assim vou deixar tudo passar & escorrer & navegar para longe (pobre rio da minha aldeia).

não posso nem dizer que as coisas acontecem só para serem escritas depois, porque na hora de escrever já não sei mais explicar, nem sentir, nem na hora soube.

nesses dias quentes como hoje em que nada acontece nessa mesa cercada de mormaço, não posso poeticamente fechar os olhos & me ver em algum outro lugar, porque não estou lá, porque não estava lá nem quando estava lá.

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