23.3.08

want an axe to break the ice

i'm happy, hope you're happy too
i've loved all i've needed to love
sordid details following

sozinha na sacada com uma caneca de café & a máquina de escrever no colo, enrolada no edredon estripado (entranhas de espuma deixaram um rastro na sala), vejo água escorrer do andar de cima e pingar na amurada.

penso no Grande Romance moderno, que o papel higiênico está acabando, quantas calorias num cachorro quente, matéria para revisão antes da prova, que não entendi metade do que falam na Difference Engine mas a Ada é amorável de qualquer jeito, no calo que me ficou de usar bota com meia furada, num sonho ruim, nos seriados sem legenda, na programação do cinema, na conta do cartão de crédito, nas cartas da Virginia, em viajar, em cortar o cabelo, nas promoções de chocolate pós-páscoa, em comprar uma máquina de costura mais livros um notebook sapatos de flamenco que custam R$260, na torneira empenada na cozinha.

tudo no mundo é aquilo ali. uma solidão. um ninho, um centro, nada em órbita, nada profundo, nada absurdo, nada Além. que fim de esperança, penso. a idade chegando quebrou até o Alex, e ele só tinha dezoito anos. vou fazer vinte-e-cinco e. nada mais? decido por um casaco porque faz frio dentro fora no meio. fungo.

aí lá no quarto vejo que você existe e dorme descoberto, e vem-me a epifania de que tem SIM mais. é absurdo como isso é uma descoberta esplêndida, inesperada, ossada de brontossauro intacta numa caverna esquecida. muito muito mais, fora de mim, avulso daqui, todas as possibilidades de respirar. te cubro de mim & de bombons & de resmungos que ninguém sabe, nem eu. chuá chuá a correnteza do dia.

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