8.5.07

my sorry way

yes, i am blind
no, i can't see
there must be something
horribly wrong with me?

lá no ônibus, viajando de costas. encosto a cabeça no vidro e aí, bloom, deitada na grama, mas tudo em preto e branco. as folhas secas por cima, as folhas secas por baixo, as folhas secas por dentro. barulho de liquidificador velho lá no fundo. olhos semicerrados em falsa concentração, porque é tudo difuso feito sonho, mas bem pior, porque é real e a próxima parada é a estação -

olho a mancha misteriosa na minha blusa [que nem é minha], bem em cima do seio esquerdo. respingo de chuva, borrão de gordura, coração vazando? doutor, doutor! fico bem de verde, quem diria? mãos fechadinhas no colo, arranho as palmas com a ponta das unhas, enumero as antigas artes liberais: gramática, dialética, retórica, música, geometria... wtf? modernamente: blogação, artesplásticasdigitais, programação, intervençãourbana blablablá.

será que tem doce na bolsa? a mão rasgando o abraço do velcro, canetas papel moedas carteira papel papel um saquinho com meia bolacha. como o corpo consegue pensar por conta isso das coisas que precisa? tem aquela história do menino com deficiência de ferro comendo pó de tijolo e tudo. ainda bem que só preciso de açúcar. sucre. voulez-vous du? mais oui etcterrá.

claro que aí começa a chover, e todo mundo voa pras janelas, fechar o mundo lá pra fora. os risquinhos contra o vidro tão compridos, bracinhos tentando me alcançar, não, alcançar todo mundo apertado atrás dos casacos & cabelos. e relógios. a impressão é que todos os relógios tiquetaqueando juntos é que fazem o tempo ir pra frente. ou pra trás! que sono. proxima parada -

levanto me segurando no ferro ao lado do banco, dou um rodopio que nem stripper de alto nível. [como se]. licença licença. caminhão de lixo. sinaleiro. ciclista. farmácia, até 70% de desconto. PARE. eu paro.

No comments: