29.1.07

o mon coeur lyrique

it is perfume from a dress
that makes me so digress?

não que eu tenha um histórico de bozilhões de amantes, é só que eles tendem [ahm ahm - por motivos misteriosos] a ser verborrágicos & eu tendo a ser maníaca, e aí eu tenho essa pasta de cartas bilhetes notas cartões. tá, não só de amantes, de amigos & afins também, mas isso é meio irrelevante pro tema, que é: todas, todas as cartas são ridículas mesmo.

porque uma anotação é só uma foto tagarela, que ao invés de fixar numa imagem muda actos & factos, congela aquelas sensações numa tentativa de explicação que mal fazia sentido na hora, quanto mais um tempão depois. sem esse tipo de prova material & cabal dos crimezinhos cometidos dia-a-dia, a gente ia superar essas vidas passadas, atropelar o tempo a galope. mas! parece que eu faço questão de ter esse tarot imprático & pessoal pra colher rastros, e devo fazer mesmo.

eu releio & aí juro que se não fossem meus escrúpulos, enchia isso aqui de citações [quiçá escuta-se agora um suspiro coletivo aliviado], implorava minhas cartas de volta e comia todas as canetas do mundo. evitar desgraças ok?

fico tão sentimental, tão mole, tão envergonhada, tão panaca, tão melancólica, tão apaixonada por jogos de sombras. mas, assim, tão. no meu cérebro de tinta borrada, não tem nostalgia maior do que a das palavras ditas. e esquecidas, ainda por cima, tipo perfume com cheiro morto, que só deixou mancha. as memórias ficam todas sortidas na cabeça, e as engrenagens nunca se encaixam logicamente; é preciso um solavanco em forma de página pra empurrar o parafuso que range range range até invocar o fantasma dos amores passados. booooooo.

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