5.10.06

please don't slow me down

fico muito nervosa com esse negócio de tempo, e aí os minutos todos acabam arredondados pra frente. se deus existisse, eu ia descer a rua com camisa de gola de padre & rezar perguntando, ei, porque me coloca todo dia na época errada? do you hate me do you hate me do you hate me? imperdoável isso da sincronia ser um negócio impossível, és um tratante.

as horas todas ficam pulando em cima de mim & é complicado identificar o tum-tash do meu peito com o clique-clique dos bracinhos do relógio ridículo que eu ando usando. não consigo confiar nas pessoas quando elas me encaixam nos planos pro futuro, porque o nosso ritmo é todo desigual & sei que sempre que esperar o alarme tocar às cinco da manhã ou prometerem me ligar ou marcarem ó, daqui meia hora, meu organismo vai começar a reagir em pânico adiantando tudo, tipo estratégias de fuga na selva com direito a predador farejando o rastro et al.

sempre faço esses planejamentos esquemáticos de como cruzar o espaçotempo & chegar daqui ali, uns mapas sem proporção nenhuma que vou consultar no caminho todo; sempre as paredes do estômago grudando porque não confirmaram um detalhezinho, e eu preciso de confirmação porque senão é claro que vou chegar tarde demais, cedo demais ou no lugar errado; sempre as respostas brotando na minha boca depois que a pergunta já 'tá morta & enterrada; sempre meus pés aqui & minha cabeça muito mais pra lá, os dedos acariciando um dado no bolso (aquela esperança, né?).

acho que eu quase nunca estou aqui, e só não me sinto mais envergonhada com esse desperdício de vida porque estou tão enrolada contando segundos que mal me sinto.

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