24.8.06

quinta-feira

me sinto a última tapada da face da terra, e olho as unhas lascadas com pena. a pia está lá, cheia de louça, o copo do liquidificador com água turva até a borda, uns restos grudentos de banana presos no bico. enfio meus pés descalços no tapetinho colorido e desfiado, encho a esponja seca de detergente amarelo. até a torneira está meio coberta de gosma oxidante, escorregadia, como se os restos de comida não conseguissem se conter nos pratos empilhados. a água escorre e forma uma poça cinzenta cheia de folhas de salsinha, bloquinhos de carne moída e fiapos de macarrão. fuço com um garfo no ralo entupido, e choro.

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