27.7.06

feito à mão.

gosto de fazer coisas com as mãos.

temperar carne, amassar pão, colher ervas, instalar fiações, modelar esculturas, montar estruturas de papel, cortar cabelos, costurar roupas, montar bolsas, unir velcros, lixar madeira, plantar sementes, organizar papéis, desfolhar cebolas, furar paredes, serrar discos, congelar barro.

agir no mundo real, por fora. ver o resultado, apalpar o coração minúsculo do fato consumado. se eu fizesse medicina, ia ser só pra mostrar que ó, isso aqui é uma perna, tem pele, tem carne, tem osso, olha, olha aqui, é rígido, tem cheiro, o sangue corre áspero por dentro desses túneis - depois da curva um viaduto.

quero materializar a sensação; fazer um soneto de macarrão com bacon, um conto todinho de serragem, enfiar a agulha num enjambement de veludo.

[e é muito mais difícil alguém arrancar dos meus dedos a saia que eu passei dois dias costurando à mão e dizer 'é minha' do que recortar um páragrafo desse texto, mudar a ordem e meia dúzia de palavras e dizer 'é meu'. pelo menos foi o que eu pensei durante o banho, satisfeita de não ver vazamentos ou faíscas.]

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