19.6.06

sabe título? nem tem.

às vezes a vida parece cheia de possibilidades. sento no chão polido do sala & traço os caminhos que meu reflexo no espelho pode percorrer. tanto espaço, tanto mundo. é tudo estrada, trilha, curva de rio, queda de penhasco, subida, desfiladeiro, labirinto, escada. levanto os braços & me curvo prum lado, pro outro, pra frente, afundando o rosto no tule áspero da saia. eu sou uma bailarina sem holofote em cima, sem platéia, sem corpo de baile, sem técnica, sem treino. se duvidar, ó, sem nem música.

o cortinado sobre a janela emperrada encobre o meu dançar de ponta na corda-bamba. se eu não contasse, nunca iam saber. iam achar que passei o dia deitada com dores nas costas, ou que fumei & derrubei cinzas no livro, ou que fiz polenta no almoço, ou que suspirei meus amores, ou que costurei um conto novo, ou que comi a última bala roxa-e-verde, sei-lá-mil-coisas. mas não.

[inserir breve pausa semi-lírica]

daqui, todas as portas se abrem pra uma prancha pendurada em um navio pirata.

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