16.4.06

tudo que eu preciso fazer é sonhar.

então, sonhos. tenho pensado bastante em. não no sentido filosófico ou psicológico, mais como criação, hm, artística mesmo.

tem esse site incrível, o slow wave, em que um(a) tal de Jesse faz quadrinhos curtinhos a partir de sonhos bizarros aleatórios enviados. a primeira vez que eu vi, passei uma madrugada fuçando o arquivo todo, e depois mais um bom tempo pensando em quê eu mandaria. também tem uma porção de comunidades no orkut com uma variedade enorme de viagens oníricas em detalhes, pra quem tiver ânimo de lidar com a linguagem peculiar juvenil.

enfim. revirei meus arquivos do finado blogue-de-sonhos e mais minhas anotações materiais, e, como sempre, lembrei de coisas que já nem fazia idéia de que tinham existido. se é que sonhos existem, claro. teve um sonho em que meu irmão era uma mortadela de chester, por exemplo. tem o famoso sonho em que tomei fanta banana. ou aquele em que eu fazia malfeitores se dissolverem quando eu lia poesia.

aí, entre resmungos e listas sem fim, encontrei anotações sobre um sonho que nunca se apagou de todo, apesar de não ser esquisitão-mor nem nada. ele foi perdendo os detalhes (nunca lembrava quem era o tal personagem, e sempre esquecia que era o mesmo sonho da raposa) com o tempo, mas, de alguma forma, volta e meia me voltava a sensação do sonho, só, que era realmente muito forte. então, hm, eis:

"23.09.03 - 10h56

sonhei com o Dorian Gray.
era lá na casa de Curitiba, e era domingo, e meu pai tava vendo TV. o Dorian aparece no quarto dos meus pais e começa a tirar as luvas (daquelas grandes) da minha mãe. eu saio do quarto e vou lendo pelo corredor. meu pai entra no quarto. misteriosamene, tá tudo vazio, e minha mãe está chegando do trabalho naquele instante, com o meu irmão. penso que devia estar alucinando.
continuo indo pelo corredor em direção aos fundos da casa, quando uma raposa me ataca e entro correndo no banheiro. lá, lavando o rosto, o Dorian.
ele chuta a raposa pra fora e eu bato a porta. ela fica arranhando a madeira feito louca. ele me senta na pia (a azul, velha) e me beija. aparentemente, a torneira está aberta e fica molhando a minha bunda, mas tô pouco me lixando. porque o Dorian Gray está me beijando, e o beijo dele é pesado & forte & lento, e fico quase desesperada.
falo pra ele ficar na garagem, que quando os meus pais forem dormir eu trago ele pro meu quarto pela janela. meu pai sai de casa e fico preocupada. quando chego no quarto, o Dorian está deitado na minha cama, me olhando.
e aí eu acordo."

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