27.3.06

o nascimento de vênus

gosto tanto
de te ver entrando num cômodo.
a maçaneta girando,
o material do teu corpo atravessando a fenda da porta,
teus olhos navegando pelo chão sem reparar em nada.
(os punhos fechados, ou dedos mexendo no cabelo.)
é como se.
um eclipse. uma bolada na cabeça. um jarro de cristal se moendo no piso.
penso: me empurra na balança, me derruba.
aí,
as bolas de poeira sobem do tapete,
a cortina salmão se rebola no vento,
o caos embaralha os seus cílios
& eu faço biquinho.

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