11.1.06

o tempo. o tempo. o tempo.

sempre que eu tô deitada o dia parece grande, ela pensava. a vida parece grande. tudo parece enorme e se esticando por cima de mim. e não é só quando me esparramo ao ar livre numa grama (que depois certamente vai me dar coceira) ou na areia da praia (que depois, além de coceira, vai me encher de bolinha). é só deitar no chão de madeira brilhante do corredor, ou no sofá quase todo só-pau, ou na velha e boa banheira branca da vovó. não importa olhar o céu prestes a me estuprar com nuvens e estrelas (apesar de aumentar significativamente o valor proto-poético) ou a lâmpada no bocal enferrujado (romance urbano) ou os galhos das árvores dançando desesperadas no vento (um rondó) ou o mistério da quina em que paredes se encontram me fechando nessa caixinha (fábula pós-tecnológica).

esfregando uma perna nua na outra, as costas sendo beijadas pelas espumas escapando do travesseiro, entre um baixar & um levantar de pálpebras, tudo, tudo isso ela pensava.

No comments: