8.12.05

sem título

ela olhava muito tempo pras paredes. as paredes ásperas que prosseguiam do chão ao teto, um universo todo, que se dobravam como entranhas fingindo cômodos, com os buracos sem pregos e os interruptores que não traziam o tipo certo de luz.

(quando deitava no chão era pra sentir melhor que ele não era parede, era nulo, era morno, enquanto o branco borrado se estendia entre suas palmas esticadas para trás, muito atrás.)

houve um tempo em que ela queria muito se misturar ao cimento e à tinta que faziam aquela caixinha em que ela arrastava seu próprio cimento vivo. mas isso foi antes. antes que ela percebesse as tomadas como fontes venenosas de gelo, de dúvida, de fuga, por onde sua alma vazaria em tanta profusão quanto pelos poros sujos do seu corpo.

No comments: