17.12.05

meus posts favoritos de 2005

como não rola escrever, vale a pena ver de novo :)

que horas são agora?
[18.01]

Mal chegou, já vai embora? / Mas e aí, o que acontece? / É pra eu esperar lá fora? / Em que ponto você desce?

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digamos sim
[27.02]

Digamos que as poltronas rangeram sob o nosso peso e só tinha mais meia dúzia de velhos suspirando, porque era véspera de feriado e era domingo e chovia, e que você pegou na minha mão, não eu na sua. Digamos que o filme era francês e eu traduzia por cima da tradução oficial, e você ria e ameaçava me botar pra fora da sala.

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i know it's not over
[05.03]

mas me diga, como é que alguém acha que as coisas têm um fim, ligações entre pessoa & pessoa, quando a vida se estende feito um varal cheio de horas (a hora é de assombros e toda ela escombros dela) entre um e outro? parar de falar, riscar o nome do caderninho, tirar o telefone da agenda, devolver presentes, nada disso faz diferença, não vai acabar porque alguém de repente acha que deu merda e é melhor (pra quem, colega?) dizer chega. não é necessária qualquer forma de contato, nem manter qualquer tipo de sentimento que um dia serviu de grampo no varal. continuar não é ficar parado agarradinho num ponto, duh.

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tudo mentira
[01.04]

soava um sibilo de cobras, carroças, apitos de vapores, bondes, rebanhos, foguetes, ônibus, sinos, ipods com fones quebrados. imemorial e imaterial, eu te amei por toda uma tarde infinita de agoras.

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se você quiser, eu fico aqui até você dormir
[09.05]

porque as pessoas deitam tão frágeis & se enrolam nos cobertores porque não é possível se enrolar nas almas dos outros pra espantar o frio.

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futuro do pretérito
[12.05]

um dia eu quis escrever um livro (litterator, oris). outro dia eu quis viver (vita, ae). acabei parada no meio da rua com uma caneta na mão (delirium, ii).

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semtítulo
[17.06]

se eu pudesse escrever o que eu quisesse, eu queria escrever uma fogueira ou uma manhã de sol & vento. ou um esmalte de carmim fosco. ou uma curva fechada. ou uma estante entulhada de traquitanas. ou enjôo. ou um banho quente demais.

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uma tragédia de costumes
[11.07]

[ELE se debruça sobre ELA, beijam, mexem. o travesseiro cai. ELE ri baixo contra os lábios dela. mexem. ELE estica um braço para fora da cama, tateia, puxa uma sacola]

[ELE, ainda tateando]
chocolate? [puxa uma barra meio comida, enrolada em papel alumínio, sai de cima dELA e começa a desenrolar o chocolate]

[ELA, virando de lado]
claro. eu...

[ELE, colocando um pedaço de chocolate na boca e esticando a barra para ELA, que morde]

[ELA, mastigando]
eu acho que meio que amo você. ou poderia, acho, assim, amar. [engole]. não que eu não saiba, ou o que é. mas.

[ELE engole o chocolate e olha com curiosidade para ELA, que tira o cabelo do rosto] certo.

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ascenção e queda do romance realista
[27.07]

eles tinham combinado a verdade toda a verdade nada mais que a verdade mas a verdade é sempre mais e às vezes eles pensam em falar tudo e não falam nada e bocejam viram um pra cada lado e dormem mas outras vezes tudo é muita coisa demais e quando abrir a porta ela não vai conseguir não dizer e por isso ela olha ansiosa pra as unhas das mãos e pensa que esse esmalte coral realmente não ficou bom porque parece encardido rosa.

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criptografia universal
[30.08]

meus pais se amam? meus avós se amam? meus tios se amam? meus amigos se amam? alguém me ama? eu amo você?
realmente roubaram meu lixo da cozinha para fazer amarração pro amor? se não roubaram, onde diabos ele foi parar?
hipnose funciona? como?
qual o substantivo mais impróprio do mundo todo?

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how i would like to believe in tenderness
[30.10]

eu ainda quero muito aprender a dançar flamenco. e tocar violoncelo. e escrever numa mesa de frente pra um lago. e ver uma estrela cadente. e assistir clockworkorange no cinema. e voar de zepelin.

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mas, às vezes, eu queria ser café-com-leite
[16.11]

quando eu era pequena, uma das minhas palavras preferidas era exausta. minha prima detestava quando eu usava, provavelmente porque ela não sabia o que era.

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menção honrosa pro meu único momento genial da vida: o desenho das velas-pandas.

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