30.10.05

hank & eu


sexta-feira eu estava toda perturbada. aí eu fui assistir factotum. fui porque o chinaski me ama, e vem até mim: o filme passou na hora certa, no lugar certo. coisas do acaso. enfim.

lá se vão quase duas horas vendo o sujeito arranjar os empregos mais esdrúxulos do mundo, morar nos cantos mais bizarros, encharcar até a alma com whisky e se foder. sem parar. as cenas se amarram feito contas de um rosário. o hank vive tudo isso com aquele ar blasé de, wtf, que diferença faz trabalhar numa fábrica de picles ou fazer fortuna com os cavalinhos, se ele é um escritor?

fiquei pensando. que. bem. é isso aí. não tem muita coisa que importa mesmo. é interessante o esforço que a gente faz pra parecer que quase tudo importa, porque dá sentido no tic-tac do relógio. levantar da cama por Uma Causa. preferencialmente Nobre. não entendo de causas nobres, de sonhos, de planos. o filme funcionou, porque lembrei. lembrei, porque esqueço e fecho os olhos pra muito. não tudo, mas muito. e 'já me sinto bem melhor'. entretanto, eu não sou artista. não sou escritora. é lindo pensar que, mas a escrita não vai me salvar. não acho o trapézio no qual possa me agarrar, com as mãos suadas do cotidiano.

e, pff, quer saber? tanto faz. porque. [favor ler o texto abaixo, à guisa de conclusão].

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