14.9.05

e a vela segue queimandinho

my candle burns at both ends
it will not last the night.
but ah my foes and oh my friends
it gives a lovely light.

eu não sei porque ou o que estou escrevendo. é sempre assim. é tão inútil. como eu já falei com meus escritores-íntimos-e-pessoais, o herói, o solipsista e o dorian g., escrever não dá alívio nenhum, ao contrário dos meus contatos com as artes visuais. eu sento aqui e digito digito digito e no final me sobra essa confusão toda e o cansaço, esse cansaço enorme do esforço vão. quando eu tiro uma foto, ou mexo nela, ou desenho, nunca fica exatamente como eu queria - não tem como, eu não tenho técnica, só desejo -, mas vem um alívio, um sorriso com o toque final.

(eu preciso de alívio, eu preciso. eu tentei abrir o portão pra entrar em casa agora pouco e estava emperrado e chovendo e eu enfiei o guarda-chuva na grama e fiquei chorando na calçada. eu sou tão patética, a dramatista perfeita.)

fico pensando em por-que-diabos eu não fiz artes plásticas ao invés de letras. hoje eu podia ter o saber-fazer et al. essa pseudocrítica que eu exercitei na graduação toda é só um embolado mais refinado da maçaroca toda que eu eu já fazia antes, desde, sei lá, sempre. uma enrolona. lembrei daquelas minhas análises pessoais de shakespeare de quando eu tinha, o que, 16 anos. o que eu tinha na cabeça pra achar que podia dizer qualquer coisa? eu sei que agora não tenho nada, e ainda assim, quero discutir otelo e a sedução da palavra. pra quê? explicar por que o iago é o gostoso-dos-gostosos vai me fazer sorrir? a idéia fez, mas o texto dificilmente vai.

li que a felicidade vem do desejo, da fome, não da saciedade ou da antecipação da satisfação. vem de querer mesmo. dá um sentido, aí você pensa que vale a pena e faz. mas e aí faz e pff.

não sei, não sei porque estou escrevendo. eu queria fazer coisas, não falar delas. (tremo.) não sou capaz de explicar as vontades ou as belezas ou as dores, mas eu sinto tanto. queria pegar as mãos de vocês e colocar aqui dentro. queria que vagassem em mim como Desire vaga dentro do Threshold. e, de novo, pra quê isso? não é como se mostrar fosse ajudar, né? é só o bom-e-velho exibicionismo. dramatista. pff. vale tanto quanto. gastar minha vontade até.

mas.

fiquei na biblioteca hoje e foi bem ok. mas. queria ler uma coisa ótima, daquelas que você enrola um tempão & depois se pergunta como ficou tanto tempo sem ter aquilo. eu sei de livros. eles me dão. quero um livro que não decepcione nem canse nem me foda. livros são assim. quero um nome falso, luvas trêsquartos, uma árvore de folhas em chama. recompensa-se bem. criança doente etc.

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