20.7.05

olha tio, sem respirar

não era uma bacia, nem um balde, mas era pequeno demais pra ser uma banheira e muito grande pra ser uma pia e além do mais não ficava preso nem na parede nem no chão. aí tinha aquela água (era água?) fria, e uma camada fina de gelo rachando & dançando por cima, e imaginei todas as sereias que podiam caber ali. tirei o casaco e a camiseta, me ajoelhei, soltei o cabelo. mergulhei primeiro o rosto, tirei; depois o ombro esquerdo, tirei; depois o ombro e o rosto e parte do pescoço, tirei; e depois brrrrrr. os meus cabelos pareciam pensamentos querendo fugir, tocando meu rosto e meu pescoço como anêmonas amorosas. abri os olhos e vi as linhas escuras se dobrando redobrando desdobrando. sorri com os lábios apertados e gelados. me debrucei mais & afundava & meus cotovelos rasparam as laterais & lambi o fundo & meus seios doíam & derrubei água & foi aí que molhei os joelhos da calça.

a realidade sempre fode com tudo, mesmo.

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