5.7.05

ai, desculpa.

vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
mulher é desdobrável. eu sou.

algumas coisas só funcionam aos solavancos. eu sou uma. vocês sabem, fico desejando cair o tempo todo. eu almejo o tombo, eu caço buracos. pra todo mundo que eu encontro, fico pedindo (mentalmente) rasteiras. as pessoas vão fluindo ao redor e pedem por favor & com licença, quando o que eu quero são chacoalhões. (as pessoas que me interessam sempre chegam fazendo estrago: são esbarrões mentais, puxadas no tapete cotidiano, plhas de sensações enlatadas desabando. é simbólico, por exemplo, que a gente tenha se encontrado em uma escada a primeira vez, afinal de contas, você cansou do "mas e se?" e resolveu me dar um empurrão (acho que foi isso, mais do que tudo, que me seduziu)).

além da famosa vertigem, que só tem a ver comigo e o meu corpo em queda (minha mais antiga história passional: o chão me ama, ele vem até mim), tem esse mover brusco das coisas, o desalinhar de todos os trópicos e meridianos, a des-ordem (all hail?), o des-esperamento. respirar, como tudo o mais, é compulsivo & compulsório. você acha que o mundo roda de-va-gar-zi-nho e cal-ma-men-te? pff. a matéria fica é aos trambolhões, as almas se chocam, o tempo se desfia.

e, bem, eu, meu negócio é dar uns encontrões nas paredes (entre as gentes? entre as casas? entre as coisas?) e derrubar bugigangas das prateleiras.

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