26.6.05

when i hear my name i want to disappear

oh, oh, oh oh (repeat)

doce ou amargo, por que enjoa tão rápido?

enjoei. do meu nome, minha cara, minhas roupas, meus beijos, minha comida, minhas falas repetidas, meus gestos que dão errado, as coisas que eu derrubo, meus tropeços, meus escritos esdrúxulos (eu pensei que devia fazer um blog do tipo artístico, não necessariamente intelectual mas sim puro, com conceito, com sentido, ou só com beleza, pelo menos: mas de onde tirar uma ordem que eu não sou capaz nem de imaginar? falar de quê, do mundo? que vá à merda).

cansei dEla, cansei cansei cansei cansei cansei. alguém, outro alguém que pegue o papel e leve a cabo. qual o fim? aposto que ela foge (e se fode). e que fim eu tenho sem essa persona que é a minha melhor obra, que é a dona do meu orgulho, que me dá tesão (vou fingir que é ela, vou pensar nela, quando pegar o vibrador), que me toca, que é sagaz & sublime & impetuosa, com quem as coisas funcionam, que me aponta os lugares, que me sublinha as citações? (ei, querida, estão te negligenciando por mim, mas sinto que isso só me dá um prazer leve e mórbido).

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oh, oh, oh oh (repeat)

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toca o telefone e são três e vinte e sete da manhã. alô? oi. venha. e aí ela deixa a porta trancada e fica de molho na banheira ouvindo a campainha tocar abafada pela música (repeat, repeat). velas com cheiro de canela.

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que coisa, hein?

tenho uma notícia boa e uma...

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tem um lugar tão vazio, tão vazio que as [aqui uma palavra ilegível, escrever na pele tem dessas coisas] só se ocupam em não ocupar nada. (escute o trabalho apressado do tempo parando, parando, parando: tic tac). lá, onde o ar pesa, denso áspero, respirar é ser preenchido por uma lixa.

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[where is this love? i can't see it, i can't touch it. i can't feel it. i can't hear it. i can hear some words, but i can't do anything with your easy words.]

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