8.6.05

seres humanos animais delicados meio bobos não distinguem

campinas é uma cidade ruim de se viver. apesar do céu lindo. e dos campos.

ela me faz mal. tem um ar de coisa morta. chupa minha energia. na minha casa me sinto um pouco mais segura, como se tivesse um pequeno campo de força me isolando do resto. na unicamp também. pra dentro daquela cerquinha fajuta, seja nos gramados, seja nos prédios, seja nos bancos, o ar fica mais leve. ou nos cinemas. mas nunca, nunca nas ruas. elas são sujas, feias, apertadas, opressivas.

eu tenho que andar muito. a pé, de ônibus. todos os caminhos daqui me arrastam & me arrasam. voltar pra cá depois de qualquer viagem, ir reconhecendo os viadutos e passarelas, come a minha alma.

as ruas mais lotadas de são paulo não me deixam assim. os becos de curitiba de madrugada muito menos. as putas do passeio público não me causam a má impressão que qualquer mocinha de camisa 3/4 me causa nas esquinas daqui. e tem aquela gente da unicamp (o lugar em si é puro, instrumento & estrutura só) também. não sei o que fazer deles, todos parecem ter um olho no meio da testa ou arrastar uma cauda de pavão. eles, hm, me afobam. não, asfixiam. não. eu, sou eu, claro. eu me atormento com as sombras deles todos.

se não fosse campinas ia ser paris birmingham cairo detroit praga portoalegre bangcoc. a terra é semelhante e pequenina blablablá, disse o campos, berrou o campos, sussurrou o campos, muito antes, bem antes, e ele sabia, porque ele não existe e por isso importa tanto, entende?

penso, 'esse lugar, essa gente, essas coisas, tudo isso chupa a minha energia, me desnutre'. talvez, no fim das contas, eu é que não tenha energia nenhuma. e fique achando falta. ou ache que deva achar falta. ou ache que seria interessante achar que devia achar falta. aquela encenação de sempre.

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