11.6.05

ou phrontis hippokleidê

i can dance and win at games
like backgammon and life.

amanheço. as pálpebras da janela tremem. o dia bêbado cai aos meus pés e se estende pela rua afora. as roupas engolem o meu corpo, eu engulo meus remédios e tomo uma caneca de chá triste que suspira embaçando meus óculos.

o que eu faço da vida? eu, er, vivo, né. tudo correndo. oh meu deus todas as vírgulas nos meus pensamentos e nenhuma nas minhas falas & gestos & sonhos & versos & reversos. eu penso às vezes que queria ser tranqüila. ser p-a-u-s-a-d-a-m-e-n-t-e. dar uma de difícil pro mundo, "hoje não, meu bem, é só o primeiro encontro". mas quando eu vejo, pff, foi-se.

é como se viver fosse uma série de convulsões. uns se debatem babando no chão, uns se agarram em quem passa por perto, uns usam os medicamentos (in)apropriados, uns se amortecem por causa da força da torção (ei, solipsista, o nome da aula era torção o quê mesmo?) ou da inércia da recorrência. aí eu vejo o chão se torcendo (isso vai além da vertigem, muito além), o céu se torcendo - tudo sedutor & desconcertante, feito um colchão d'água - e, bem, eu tenho que correr agora mesmo, sim, agora-agora, agora-já, agorinha.

não é como se fosse fazer diferença que não entendam o que eu falo por causa da prosódia acelerada. também não é como se fossem me apoiar na rua, toda vez que eu tropeço. o negócio é manter o desequilíbrio (assim eu consigo andar & fazer), feito o ursinho que ficava por-sobre o quebra-gelo (clac-clac) e só cair no chão aqui de casa.

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