5.6.05

me pegue por trás, diabo¹

lots of girls walk around in tears (but that's not for you)

carregados de mantimentos (um saco de salgadinho barato tipo fake!baconzitos, uma garrafa d'água, uma caixinha de fake!tic-tac, uma caixa de sem parar, um pacote de bala de goma), nós pegamos o metrô (direto da rodoviária até o credicard hall: tietê-luz-barrafunda-pres.altino-santoamaro), encontramos a ponte da orca, a casquinha carambinha e chegamos ao local como maior número de pessoas de vermelho na face da terra. isso era 16h30. esperamos, esperamos, descobrimos que estávamos na fila (num lugar bom), esperamos mais. entramos. outra fila. esperamos mais. entramos mais.

correndo & gritando, pegamos o melhor lugar possível na porra do lugar, como pode ser visto na foto acima (eu estou do lado da menina de camiseta preta com a bala estampada, que será mencionada adiante). i.e., fiquei na frente, não só vendo as coisas, não só na cara do palco, mas à menor distância possível do microfone central, na reta, com uma menina da metade do meu tamanho na minha frente: ela não tapava a minha visão e ainda amortecia quando me emagavam contra a grade. assim, w00t é apelido.
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how old are you now, anyway?

e aí tinham essas centenas de adolescentes, na flor dos seus dezesseis anos, bebendo e vomitando na fonte, e lavando a cara na fonte, e cuspindo na fonte, e caindo no chão, e gritando idiotices, e repetindo idiotices do tipo "caralho-eu-não-acredito" a cada cinco minutos, e dizendo idiotices como "o cenário é da hora, mas essa maçã não tem nada a ver". como assim, nada a ver? você não sabe o que é uma maçã? as suas referências culturais são tão reduzidas que não é possível fazer uma ligação básica do tipo diabo-maçã, isso pra não ir em todas aquelas implicações que, bem, eu, como heroína da maçã roída, estou mais do que apta a esbravejar?

a única coisa que me impediu de virar com toda a minha ira über-intertextual foi pensar que graças a estar cercada desses tipos inofensivos é que ninguém roubou os conteúdos dos meus bolsos, nem sofri cotoveladas nos peitos, nem pisões nos pés, nem foi muito difícil me manter no local tão arduamente conseguido. e eu só fui encoxada pelo ricardo e mais umas duas pessoas \o/
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grab hold of me cause i'm your favorite fella

e já que o assunto é encoxar, gostaria de informar que mesmo durante a histeria de hotel yorba eu consegui, com enorme esforço, me virar de costas para o palco e cantar "let's get married in a big cathedral by a priest". ditto.
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read it in the newspaper, ask your girlfriends and see if they know
todo mundo sabe a setlist. e que tocaram triângulo & xilofone. e que o jack perguntou se a gente queria logo sevennationarmy ou o quê (o quêêêêêê!). que o 'povo da pista' sabia até as músicas que não devia saber de cor (o CD novo é lançado amanhã, certo? certo (mas ganhei um hoje, já que a fnac furou o pseudo-bloqueio)).

mas, veja, eu vi que o jack estava com um chupão no braço. e eu ouvi ele sussurrando quando desceu do palco e pulou na minha frente e entregou um cd nas mãos da menina do meu lado (a tal de camiseta preta e bala estampada, linda, por sinal). e me arrependi de ter dito que a meg² era um robô com cara de pudim, porque ela é muito, muito bonita, meiga, engraçada e toca com muita força, em vários sentidos. e ela ficava teimando com o jack e cruzando os braços com um olhar ao mesmo tempo fatal & cômico, com as baquetas apontando junto de cada cotovelo. e o cabelo dela é castanho, não preto. e o jack³ tem um sorriso safado que, uh, é, hm, né. e eu que dança-dançava ball & biscuit len-ta-men-te junto-juntinho do ricardo, e tagarelava & resmungava com ele, e beijava ele (que tem a [ênfase]barba[/ênfase] quarenta e cinco milhões de vezes mais sexy que a do estripador).

pra eu me aguentar as coisas todas, e no meio daquilo tudo, daquela gente toda, tinha que valer muito a pena. e mesmo quando eu estava dormindo dobrada ao meio na rodoviária esperando o primeiro ônibus pra campinas, e achando que o meu cabelo nunca mais ia parecer cabelo, eu sorria feito uma panaca. porque 1,2,3,4 take the elevator & i'm never gonna let you down & parties make feel as bad (aí ele olhou pra mim, tá? e antes e depois pra mais metade das meninas-de-vermelho da pista :P) & i'm practically center stage & don't just succumb to the wishes of your brothers & tudo, tudo o mais.
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walking down the street carrying a baseball bat

e okay, depois a gente se esparramou no chão, no meio do lixo, e um chiclete grudou na camisa do ricardo. certo, eu estava pingando e até agora nem meus braços nem as minhas pernas respondem adequadamente e doem mesmo. mas minha voz não está tão medonha como eu imaginei (além de gritar feito uma condenada - incluindo 'look me over closely', já que ele tinha atendido os pedidos de death letter & screwdriver >_< - e, vergonha das vergonhas, ter cantado semparar) e não é possível descrever a sensação de ter visto tudo acontecendo logo-ali, não no mesmo ambiente só, mas ali, ó, dois passos só, e ter a guitarra tocando por dentro agora, com os improvisos todos. é como eu digo, claro, os meios justificam os fins, sempre.

e - e - e, quando estávamos novamente esparramados, dessa vez na grama do lado de fora, mais derramando do que engolindo água, eis que uma van vai saindo lentamente, e enquanto eu fico pensandinho "será que ela vai pros lados da rodoviária do tietê?", o sr. samila me diz "você viu o jack dando tchauzinho na janela?". não eu não vi, tá bom? >:|

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¹ eu tenho toda a licença poética do mundo. que me importa se usam "vaderetrosatanás" desde sempre, se eu quero mais é que ele venha e me cate?
² apesar de, domingo, já em casa, mantermos a grande discussão sobre sua extrema concentração ao bater no triângulo uma única vez, com as baquetas-monstro dos tamborzões em passive manipulation :P~d:
³ jack white is looking for a home, you know.

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