1.4.05

repara

anotações esparsas n. 8.975.322-A

então, o discordianismo (all hail).

nada muito original com o monoteísmo, mas isso me é perdoável graças à tortuosa figura anti-geometra da Éris (lembra as deusas hindus da morte?) e, principalmente, à Sua presença na glândula pineal.

informei-me que a tal glândula é a responsável pela ligação entre o corpo & a mente, tipo amarrar o que se passa no cérebro com essa massa triste de sangue e carne. seria algum tipo de sincronizador de pensamentos & sensações? eu não sei. mas é um lugar ótimo pra Entidade ficar e se comunicar com os Menores. pense.

no HG2G tem aquele papo de o passado servir pra explicar as diferenças entre o sentir e o pensar. penso na questão da experiência não influir na conformação das emoções, mas não sei se tem muita ligação.

talvez minha glândula pineal seja falha, então me dificulta compreender como pode Fazer Sentido, isso e aquilo. mas ela não precisa funcionar perfeitamente em mim para que eu possa refletir sobre isso. os Grandes Arqueólogos não viveram no paleolítico nem nada.

talvez, também, a coitada seja extremamente prolífica e saudável. quem disse que o encaixe deve passar desapercebido, né?

é no contraste que a gente pára pra olhar melhor as coisas, mesmo. e é tudo sobre olhar, no fim das contas. a regra do 5, por exemplo, que diz que "todas as coisas acontecem em grupos de cinco, ou são divisíveis ou múltiplas de cinco, ou estão de alguma forma direta ou indiretamente relacionadas a cinco", com o testemunho adicional de que, quanto mais se procura, mais se percebe como ela faz sentido. a questão é olhar e reparar, encaixar nas grades dos olhos o mundo.

quando a gente acha que tudo só é, assim, que tá garantido e selado, viver é morte. mesmo um livro já escrito lido decorado mofado guarda numa vírgula ou outra um segredo. aliás, não. não é segredo. nada está deliberadamente escondido. que tipo de deus tosco ia fazer pra não mostrar, que tipo de natureza perversa ia guardar qualquer coisa?

já dizia o livrão: se podes ver, olha. se podes olhar, repara.

e aí? e aí que eu assisti nós que aqui estamos por vós esperamos. o negócio é uma orgia visual, eu quase me debulhei em lágrimas porque era muito pra mim. pensei que qualquer professor de história com meio cérebro devia passar isso para os alunos verem, em algum ponto do segundo grau. quem sabe aí as pessoas podiam ser levemente menos bitoladas. pensei que um ou outro não merece experimentar coisas boas, isso e aquilo, tipo esse filme. e, ao mesmo tempo, pensei que isso e aquilo podem fazer um ou outro merecerem ainda mais. mais o quê? me merecerem? não sei. não acredito em pessoas melhores, porque não acredito numa Coisa Boa Única. mas queria mais gente compatível comigo, sim.

eu não sei. i am not under any orders to make the world a better place.

ainda por cima, eu tinha escrito a parte da Discórdia bem antes de ver o filme. como de praxe, fico com medo dos problemas de coesão, apreensiva por um possível non sequitur que me mostrasse ainda mais que eu não me encaixo nem sei encaixar nada (ultimamente, toda vez que eu releio o que eu escrevo, tenho vergonha e acho patético, quero apagar, quero parar - mas lembro que quando tenho calado, tenho sido mais ridícula ainda). vai saber. mas. hm, o filme. é bom, A+, über. é um documentário, é ficção, tem uma música aterrorizantemente manipuladora e é uma montagem, uma picotação, um mosaico de fotos e filmes do (breve, torto, quente, extremo) tal de século XX. me deu quase vontade de largar minhas mulheres medievais e mudar de plano pro mestrado.

eu não sei. queria ter tido tempo de fazer uma análise fake!acadêmica do Principia, em alguma monografia. queria abrir mais os olhos.

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