17.4.05

e o show continua

i wonder why it doesn't
keep you up at night
(like it does me)

eu sou do tipo que fica lembrando, das coisas vivas & das coisas mortas. às vezes essas coisas variadas fazem com que eu me jogue no chão (literalmente, infelizmente) e soque os azulejos (amarelejos). às vezes elas não importam pra mais ninguém, nem pra mim inclusive, mas quando eu vejo já estou me agarrando convulsa no edredon, embalada pela mesma música madrugada a dentro.

é tanta coisa teatral. mas como? não dá, falta a platéia. afinal, eu penso, i know that there is nobody here, so why am i crawling on the floor?

não dá nem pra dizer que é pra poder contar aqui, porque isso é só um exemplo e pode bem ser fictício, até onde eu sei. acho que os sentimentos me amam (eles vêm até mim) e por isso ficam se ajeitando e arrumando motivos sozinhos pra eu agir.

como se eu fosse de uma religião arcaica que pede sacrifícios de vida, não de morte. como se os templos cheirando à fumaça clara fossem o mundo todo, e a fumaça a minha respiração com aroma de venenos & especiarias sagradas, ou só suco velho e bombom derretido mesmo.

como se, como se, como se.

como se eu não pude calar a boca (não diga - digo). os motivos eu como & escondo, só vejam a cena. não posso mostrar o roteiro, não posso descrever o desejo, porque isso é pros meus bastidores repletos de... isso, fumaça. digamos que se estirar no chão seja uma alegoria de como a vida me esfrega nas paredes (essa é a realidade), que chacoalhar tremendo no escuro seja uma reação alérgica por ser digerida pelo amor, ou por digerir o amor. os fatores são intercambiáveis e simples.

como você pode não se importar, se eu me importo tanto? como eu posso não me importar, se eu me importo tanto? como você pode não sentir minha falta nem lembrar o meu nome? como eu posso não sentir a minha falta, e, muito menos, lembrar o meu nome?

como, me diga.

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