29.3.05

ladrão que rouba ladrão

vou falar das pessoas que roubam.

é assim. a vida é dura, o mundo é podre e as pessoas são licho, câmbio. não vai crescer mais a fruita podre do meu coração. se perguntardes se sou feliz, responder-vos-ei que não o sou. ditto. re-ditto.

mas.

tem que piorar a situação?

imagine assim. que alguém que você gosta muito está se matando nesse instante. pense no que você ia sentir ao saber que alguém roubou dela todas as coisas que não aconteceram ainda, e, portanto, nem quebrar a cara ela pode mais. pense que ela nunca vai fazer 23 anos, nem pintar o cabelo de cor escura de novo, nem se formar em direito, nem ler on the road, nem posar pras suas fotos, nem assistir a refilmagem d'a fantástica fábrica de chocolate. seja mau e pense, egoisticamente, nas coisas que essa pessoa roubou de você. de tudo o que você não vai poder contar, das risadas que não vai dar, dos passeios que não vão acontecer, de como você não vai esperar alguém na plataforma errada da rodoviária e mostrar a reorganização desordenada que você impôs no quarto. é ódio o nome, e foi um assassinato.

eu já falei, mas vou repetir, porque me cabe. as coisas são assim, fodinhas & fodonas. tanta coisa que eu queria e que já me é roubada por natureza. tipo eu querer muito ficar em casa mas ter que ir trabalhar, porque senão não tenho como sustentar a tal casa. tipo não ver meu irmão crescer, porque não posso mais morar com os meus pais. tento não me roubar mais do que o necessário, e me sinto no direito pleno de esbravejar quando percebo que me roubam. que se roubam também, mas isso é mais raro, devido ao meu altruísmo estar meio defunto atualmente.

do que eu tava falando? das pessoas, certo, que roubam. roubam e ainda usam o papo de que tem que ser assim, como gemia o Ludwig Van. dur. quer saber? vão se foder bem ruim, que não tô boa da cara. vai ver vocês merecem ser roubados, sei lá, se virem. eu sei que não é o que eu quero, e, portanto, não é o que eu mereço.

quem foi que disse aquela história de 'hey, eu não estou cabendo aqui e vocês fedem, mas do outro lado do muro, é a mim que não querem'? porque, hm. a maioria das pessoas é tapada, mas quando alguém uau fala comigo, sinto toda a minha reluzente un-c00l-ness vazandinho & quero me tapar até os miolos com o cobertor pra nunca mais retornar, jedi que não sou (como eu disse, liloca, eu queria ser genial diariamente :~ perdão).

[editado: a frase é "Os normais ainda crêem que eu também sou normal. Mas não poderia permanecer uma hora no meio deles. Tenho necessidade de viver do outro lado do muro. Lá, porém, não me querem", é do Sartre e eu tirei daqui.]

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