5.3.05

i know it's not over

so: the choice i have made
may seem strange to you
but who asked you, anyway?
it's my life to wreck, my own way

as coisas não acabam, só começam.

depois que você vê um objeto, uma pessoa, uma cena pela primeira vez, isso não morre em você. a compartimentação de tudo é só pra deixar o mundo didático e mais compreensível, tipo quando você era pequeno e precisava aumentar um desenho pra ficar mais legal na cartolina e desenhava uma gradezinha a lápis, por cima. cada quadradinho vira um quadradinho maior, por partes, você junta um todo semi-decente. é prático.

as pessoas simplificam a vida dizendo que isso é rock, aquilo é grunge, punk, psicobilly; aquele ali é barroco, esse outro é pré-modernista (me diga, como é que você diz que um cara é uma coisa antes da tal coisa existir? lógica obtusa). o incêndio de roma marcou a decadência do império, a morte do franz ferdinand a primeira guerra, a catedral de chartes mistura gótico e românico. é um jeito de ordenar o caos (all hail), porque é difícil ver a imagem toda de uma vez, ainda mais uma torta assim, e impossível não ver o novo comparando ele com tudo o que você viu antes. os medievais (repare a classificação) representavam deus com uma porra de compasso na mão, entende?

é ok, ok. eu faço, você faz, todo mundo faz. mas ainda assim. dá pra perceber que faz, pelo menos? que não é natural, isso?

não lembro quem foi o filósofo que disse que a única coisa verdadeira & real (verdade e realidade são coisas bem diferentes) é a experiência pessoal. o resto é só você encaixando o mundo, quer dizer, a experiência dos outros, nas suas lentes. não é real, apesar de ser verdade (a sua verdade), porque o que você vê não foi assim na hora, no lugar, na pessoa, nas coisas. não que o que você lembre do que você mesmo fez seja um retrato puro dos fatos, mas pelo menos foi você mesmo quem filtrou.

como alguém pode achar que um relacionamento, qualquer relacionamento, acaba? por relacionamento, eu entendo uma certa troca de coisas entre as pessoas, de forma que faça diferença. eu vejo meus coleguinhas sociáveis com suas teias de amizade e a famosa monogamia sucessiva compulsiva, e nessas relações específicas, sim, eu concordo que comecem-existam-acabem. é tanto faz, só sobra um ursinho de pelúcia, um número de telefone que você não atende no celular e um sapato que não importa quanto você lave, continua cheirando a cerveja.

mas me diga, como é que alguém acha que as coisas têm um fim, ligações entre pessoa & pessoa, quando a vida se estende feito um varal cheio de horas (a hora é de assombros e toda ela escombros dela) entre um e outro? parar de falar, riscar o nome do caderninho, tirar o telefone da agenda, devolver presentes, nada disso faz diferença, não vai acabar porque alguém de repente acha que deu merda e é melhor (pra quem, colega?) dizer chega. não é necessária qualquer forma de contato, nem manter qualquer tipo de sentimento que um dia serviu de grampo no varal. continuar não é ficar parado agarradinho num ponto, duh.

e esse é mais um dos motivos pelos quais as pessoas me decepcionam. porque eu estou aqui vendo que é tudo um contínuo, não uma aula de biologia (ou melhor, ciências) na primeira série, daquelas em que tinha um coelhinho pequeno, depois um coelhinho maior, depois dois coelhinhos e depois um coelhinho morto com os pés pra cima, escrito 'os seres vivos nascem, crescem, se reproduzem e morrerm'. e insistem, repetidamente, que é, sim, uma escala simples e tosca, o mundo. olha aqui, a minha cara de quem está levando a sério:

::imita um coelho morto com as pernas pra cima::

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