8.3.05

fruita podre

is it worth a tear, is it worth an hour?
grief shall endure not for ever, i know.
as things that are not shall these things be
(it will grow not again, this fruit of my heart)

tá, digamos que a história não se repete. mas rima, rima um monte.

eu sei da vida que ela vai se fiando e desfiando, e sei que a gente acostuma com as coisas ruins (e acha que sempre foi assim) & com as coisas boas (e acha que vai continuar assim), mas que não é realmente constante.

mas agora, também sei que já foi-se o tempo em que eu me acreditava quando dizia 'hey, deixe a vida te surpreender' e isso servia, porque até as surpresas, tão boas que foram, tão boas que são, passam e vão. e eu fico. eu fico feito os trilhos que o trem passa por cima, com o mato nascendo quieto no meu dentro. não vai crescer mais, a fruita do meu coração. me desacorçoei da vida, sobrei do mundo e, estranhamente, não acho que isso seja grande coisa.

porque as pessoas às vezes se controem encontrando um inimigo. vê, você pode medir quem ela acha que é, ou quem ela quer ser, vendo com quem ela quer disputar isso & aquilo. é sempre assim, eu contra os outros: é só escolher o outro mais adequado pro seu contexto. se você quiser, vá lá esbravejar contra o assassinato das baleias. ou brigue com todos os habitantes da sua casa porque eles deixam o leite fora da geladeira. ou faça manifestações exigindo seu direito de passar um tempo indeterminado na faculdade. escolha uma pessoa pra discordar, e fale mal dela.

melhor, claro, é dizer que você é errado no mundo, ou que o mundo todo é errado pra você, dá na mesma. você se compara com a humanidade inteira e até a sua dor é diferente, melhor. que especial!11!!1

mas bleh, que seja, me é tanto faz se tem mais gente assim, tanto faz se é todo mundo assim. não vai, não vai crescer mais, essa fruita podre do meu coração (não vale uma lágrima, não vale uma hora).

[nota bene: isso foi escrito hoje de manhã, e nada mudou, portanto lá vai. publish publish publish]

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