16.3.05

avacalhando

eu me pergunto, como é que com as coisas que eu sei & acho & penso eu faço as coisas que eu faço & sinto as coisas que eu sinto?

assim, eu não sei como é ser uma menina ou uma aluna de letras ou uma tradutora ou comedora de chocolate ou leitora maníaca ou bebedora de ovomaltine ou espectadora de filmes de cheerleader ou ouvidora de músicas tristes ou carregadora de mochila velha ou moradora de apartamento ou curitiboca ou brasileira ou escritora ou cozinheira ou revisora ou o escambáu, porque eu sou tudo junto. claro, apesar disso eu sei que certas coisas me acontecem mais facilmente porque eu sou mulher e que eu posso fazer certas coisas mais frequentemente porque estudo na unicamp etc etc etc.

eu vejo as especificidadezinhas, não sou tão tapada assim (como é ser tapada? também não sei, porque eu sou um gênio tapado, né). fico fazendo minhas notas mentais e chegando a todas aquelas famosas conclusões-de-minuto (que outro minuto vai desfazer), mas é como se eu usasse doublethinking, porque sei e não sei. lendo essas coisas aí, parece tudo, hm, defeatism entreguismo, mas eu não me larguei nas cordas, não. sério. er. bork.

tá. assim. o que acontece é que eu acho que aprendo as coisas só pra poder avacalhar melhor comigo. aquela vida realmente feliz, morar dentro de mim. eu faço e eu mesma já vou detonando (kelly, kelly, dá retorno). e o pior é que nem é uma detonada legal, no fim das contas.

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