28.3.05

america

america why are your libraries full of tears?

are you being sinister or is this some form of practical joke?

i'm trying to come to the point.
i refuse to give up my obsession.

america stop pushing i know what i'm doing.

businessmen are serious.
movie producers are serious.
everybody's serious but me.

it occurs to me that i am america.

i am talking to myself again.

-


curitiba foi, não é mais. curitiba ontem e curitiba amanhã, nunca curitiba hoje. por que essa gamação com curitiba, você me pregunta. e eu te respondo, ó fiel, não assistiu dawson's creek, não?

é assim, a aurora-da-minha-vida, a-minha-infância-querida-que-os-anos-não-trazem-mais. ponho os pés lá e crio espinhas. i was a teenage werewolf et al. vou explicar. eu sinto falta de curitiba como alguém sente falta de um braço amputado, um braço que já estava podre há séculos (dos séculos, améin), mais longe do que a memória pode alcançar.

tenho a impressão de que atravessei todas as ruas distraída a caminho do psiquiatra, com as mãos fechadas em punhos nos bolsos, com medo das pílulas azuis. todo dia eu comi todas as porcarias disponíveis, repetidamente, e vomitei de joelhos em todos os banheiros. eu sentei na grama de todas as praças, e estiquei minhas pernas no asfalto, e escorreguei nas esquinas, e senti a água espirrando por dentro da barra da calça em cada pedra solta das calçadas, e me equilibrei em cada metro de meio-fio.

todos os bêbados me cantaram do escuro das marquises, iluminados pelo sinal vermelho, e todos os livros da biblioteca pública dormiram no meu colo, num ônibus semi-lotado, parando de tubo em tubo e grasnando feito o carro das frutas (crshhh) e verduras (crrrss) pelos alto-falantes. eu (me? te? se?) beijei na esquina da casa do vampiro - que datilografava no sótão, ao lado de uma tigela de sopa - , e depois deitamos sob todas as árvores, nos esfregamos encostados em todos os postes e curvas de construções petulantes, rimos de todas as placas, tomamos todos os sabores de sorvetes e atravessamos a noite correndo de mãos dadas (eu sempre puxando), e quando eu chegava em casa era tarde, porque existia tarde ainda, e meus lábios estavam ressecados (beijo tóxico de curitiboca - você grita 24 horas e morre feliz).

podia ser em qualquer lugar, em qualquer tempo, mas foi num lugartempo só que eu passei todas as manhãs lendo de bruços no quintal, usando o guarda-chuva da Madonna como guarda-sol, atendendo o telefone (era sempre engano) e comendo mingau de nescau com leite em pó.

em suma, curitiba faz 312 anos e eu faço 15. e sempre desmaio no desfile. whooooo. ploft.

curitiba tem cada peça, hein

No comments: