15.2.05

coroai-me

em verdade, verdade vos digo:
coroai-me de rosas, que daí não me importo com os espinhos.
o teu silêncio é um leque que eu tento rasgar aberto,
e mais belo, claro, seria não abrir,
(manter o recato, sim, casta & justa)
mas eu não saberia o que é beleza, mesmo se ela estivesse no meu colo,
pra eu xingar e apertar minha ereção contra a sua toga.

as flores do pavor não brotam do asfalto,
brotam dos ossos, veja:
caio pelo ar como se fosse tí-pi-co
& me espalho pelo chão como se fosse a-quá-ti-co
& saio caminhando um caminhar ca-ó-ti-co
2 + 2 = 5 porque é tão prá-ti-co.

(é de antes do ópio que a minha alma é doente, Horácio, como podes me amar?).

há um pássaro negro, aqui, no meu dentro,
e ele quer sair, lamber com as asas o vento,
eu abro, eu deixo, mas sei que não dá,
nunca mais, nunca mais, todo aquele bla bla blá.

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pastiche é vomitar os outros, mas delicadamente. eu podia tar roubando, eu podia tar matando, mas tô aqui, picotando. que tal jogar descubra-a-referência-e-ganhe-um-brinde?

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