18.1.05

poucas parcas

Eu particularmente acho que deviam acrescentar mais uma às três parcas. Além daquela que torce o cordão da vida, a que mede e a que corta, que colocassem uma que se embolasse no fio e mal soubesse de quem ou de onde diabos saiu aquela maçaroca toda. Porque eu gosto de mitologia grega desde bem pequena e nunca consegui me identificar direito com ninguém, e eu queria, porque ajuda a entender a vida. Não deviam os deuses cumular-me de honras? Ah, se deviam.

A Perséfone até serve um pouco, toda aquela história de mostrar e esconder, viver e morrer, (a)traída por uma fruita e tal. Mas uma romã não é uma maçã, então, hm, não tanto. Eu tenho certo desprezo pela Afrodite, também, porque o amor e a sedução nunca foram uma coisa que eu fiz deliberadamente, só acontece, quer dizer, eu gosto do poder, mas quero que ele me escolha (a verdade me ama, ela vem até mim). Também nunca me animei com o Apolo e a Artemis, todos certinhos e pululantes pelos bosques. Ó, colegas, ela é a deusa da castidade, ela prefere *evitar* as coisas do que correr o risco. É por isso que eles usam arcos, porque com uma flecha você não precisa chegar perto. Apesar de babar, eu não sou tipo o Dionísio, hm, que é *o sujeito*, estraçalhando corpos com as mãos & alucinando & cantando & sumindo & voltando, e ele tem esse negócio duplo também, que eu li, eu li assim, que eles faziam procissões com duas estátuas, as duas dele, e uma era d'aquele-que-traz-a-loucura' e a outra era d'aquele-que-livra-da-loucura'.

E no fim, é tudo loucura mesmo, porque não é um rapto, não é um lupercal, não é uma odisséia, não é estupro, não é caça, não é oráculo, é só a minha vida.

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