12.12.04

sonho

sonhei um filme hoje, mas como sei que não tenho esperanças no mundo cinematográfico (e em nenhum outro, pra dizer a verdade), vou contar vou contar vou contar. acho que sonhei porque ontem estava relendo uns sonhos que eu anotei e pensei 'que coisa, faz tempo que eu não tenho sonhos legais pra me fazer acordar atormentada e impressionar as pessoas com cenas sublimes como eu colando bolos no chão utilizando doce de leite ou ruínas de mármore ou vestidos de tule'. aí, eficiente que sou, sonhei.

era assim. um filme espanhol mexicano argentino, o escambáu. tinha uma jovem puta que morava num cortição e de quem eu era vizinha (veja só, que chique, não sei se eu era puta também, mas acho que não, mesmo porque tanto faz, já que ela era a protagonista mesmo) e atrás da qual andava um político gordo chato sujo perigoso etc. e, adivinhem só! o Bernal faz o papel um bom garoto que se apaixona por ela, mas oh, eles não podem nunca consumar o amor, porque se o sujeito mau souber, dá um fim no bonitinho.

aí ele começa, sabe-se-lá-como, a juntar dinheiro. sério que tem umas partes que parece plágio do Amores Perros, mas não dá pra ser 100% criativa mesmo. no final, que é o que eu tenho mais claro, ele vai na casa dela (que parece desesperadoramente com a pousada da ilhadomel) e eu lá estou (segurando vela? não! dando em cima do Bernal mesmo), e ele tem todo o dinheiro numa conta de banco, mas quando entrou rolando pela fresta da porta (!), caíram muitos papeis do bolso dele e a senha estava em um deles (em vez de anotar na perna, o trouxa, feito certas pessoas). segue-se um pequeno diálogo ilustrativo e conclusivo, no qual ela diz que mesmo se ele não tivesse todo aquele dinheiro, trepava, e eu acrescento que eu também, oh, oferecida, rejeitada.

o clímax segue quando vejo o sujeito mau vindo poruma janela e fico trancada com o Bernal no banheiro. uh. banheirinho deveras apertado. nele tem um espelho através do qual dá pra ver perfeitamente a cama, porque a porta não fecha de verdade nem nada. vendo sua amada em vias de fornicar com o político, e sabendo que se a gente podia ver os dois, eles podiam ver a gente, decidimos fugir pela janela (óbvio, como mais se foge, né? janela do banheiro, duh), mas, pasmem, estamos amarrados pelos pulsos um no outro (influência má do clipe da Tori Amos, eu sei) e sofremos um bocado pra sair do tal cortiço até achar uma criança com uma tesoura (que providencial, mas aguardem a reviravolta!) que corta o troço e a gente pode correr um pouco mais.

lembro que a gente vai correndo e cantando uma música que supostamente ajudaria a corrida. era uma música que nós dois cantávamos em nossa infância sofrida no cortiço, e oh, percebo que ele é meu Grande Amor. <3!!111!!. óbvio que nessa parte ele me manda ir pra outro lado, porque é perigoso que a gente vá junto etc. aí, como não sou importante pra história, o filme segue o sujeito, que encontra outra criança com tesoura (eles se multiplicam?) pra cortar sei-lá-o-que, criança esta que o avisa que a polícia já está chegando, porque quando cortaram a corda que nos separava, aparentemente cairam umas gotas de sangue escandalosas. o the end acontece quando vem o carro da polícia, o Bernal corre a atravessar a rua, leva um tiro e cai em slow motion. plo-o-o-o-o-o-oft.

aí, feito nos finais idiotas do almodóvar, aparece uma voz para narrar que nesse exato instante, o político goza.

whoa.

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