11.12.04

curitiboca de curitiboca

confissão de curitiboca

nasci em curitiba, mas, principalmente, cresci em curitiba:
por isso sou arrogante, mal-humorada, fechada.
setentaporcento de verde nas ruas,
noventaenoveporcento de cinza no céu.
o meu andar tropeçando é só imitação do biarticulado,
tronxo, gemendo pela canaleta, trombando de tubo em tubo.
(tenho vontade de ser grande, mas se me olham, só dá desastre)
curitiboca, maldita, grasnando feito o vampiro
- mas sem dentes -
sou inteira uma ópera de arame mal projetada,
sem acústica, sem chão, todo mundo vendo a sua calcinha;
o preço não compensa o que eu posso oferecer.
curitiboca, não fodida e não paga,
a estufa em que as plantas morrem, não crescem,
as praças cheirando a mijo,
a rua XV assombrando os sonhos.
cada palavra é uma daquelas pedras
que se agarram umas nas outras
fingindo de calçada
(a cada passo, dois tombos)
e nem sei o que finjo agora
(a cada passo, dois tombos).

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