16.10.04

aue ego

fico tão contente quando eu descubro que alguém, algum Grande Estudioso, acha a mesma coisa que eu acho. isso, claro, quando eu já achava isso antes de descobrir a descoberta do outro. cérebros comparilhados etcoetera. a glória de não ser sozinha no meio das garrafas vazias de coca. ecoar idéias como a de que "o esforço para manter a coesão do ego marca-o em todas as suas fases, e a tentação de perdê-lo jamais deixou de acompanhar a determinação cega de conservá-lo". isso disse o Adorno e seu amigo Horkhemeier, mas eu também, colegas, entendo bem de ego, de querer esconder e expor, de querer jogar no vaso e puxar descarga, de querer grudar na testa feito uma tatuagem brinde de chiclete.

(life used to be life-like)

às vezes os papéis que em que a gente atua, no palco, no mundo, parecem meio. hmm. meio, meio, meio inadequados. vagos. obtusos. cavados. foscos. tronxos. mornos. estropiados. débeis. aí o melhor plano parece ser esconder o script e fingir que você não é o protagonista, mas sim o figurante número 8, aquele sem falas nem nada.

é dissimulação o nome disso.

adeus, meu ego, adeus, nos veremos no futuro talvez, quando eu conseguir finalmente tirar a rolha da minha garrafa de vinho ou quem sabe quando eu andar de trem ou quando o tempo morrer ou quando eu abrir os olhos. adeus, meu ego, adeus, na Hora Bonita nunca preciso de você mesmo.

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em um tom mais leve, notícias direto da fantástica fábrica de chocolate que é a minha vida:

k., ela mesma, arrumou um novo emprego (ora! você nem sabia que ela tinha saído do outro?), ficando apenas dois dias desempregada. whoa. agora ela é uma mocinha tradutora num local que faz testes com humanos (::risada má::), trabalha menos do que antes, em coisa mais divertida, com computador (\o/), come melhor e ganha praticamente a mesma coisa. como são as coisas, né?

e ela comprou um bell jar, que achou num sebo.

pobrezinha, mesmo garota perturbada que é, são esses bons tempos. na Aula Boa, ela senta com o h-h e a fantástica t, e ouve frases do tipo "pro kafka, era ou escrever ou morrer, mas quando escrevia, também morria", "viva a megaovelha" e "a ilíada é big brother no olimpo".

ela viu killbill2, também. até sonhou que estava casando depois, efeitos da beatrix kiddo, que nem é a dela. cada qual com as suas musas (ah, terpsícore!).

(pausa: tá tocando ring of fire, i fell for you like a chiiiiiiiiild)

o dia ruge. a noite urge. na orbe, as beiras do abismo encolhem. a luz espera, a noite gera. emaranhada nos cabelos, a famosa grinalda de hera.

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