1.10.04

acidentalmente apaixonada

that's the thing about girls. every time
they do something pretty, even if they're not
much to look at, or even if they're sort of stupid,
you fall half in love with them, and then you never
know where the hell you are. girls. jesus christ.
they can drive you crazy. they really can.

eu me apaixono muito fácil. não esse apaixonar aí, não, mas é que eu não sei outra palavra que sirva. esse apaixonar aí, de ficar pensando um monte, de ficar babando, de tremer, é bem raro até. acho que isso mesmo foi só umas três vezes, de eu pensar e tudo 'oh, não, apaixonada!?'. mas esse outro apaixonamento é meio que mais ou menos frequente até.

é assim.

eu conheço alguém. às vezes esse apaixonamento só aparece anos depois, ou meses, ou às vezes dias. nunca na hora. alguma coisa específica nessa pessoa (como ela se mexe, ou fala, ou escreve - meu Grande Ponto Fraco-, ou fica parada olhando pro nada) me toca. na primeira vez, eu dificilmente reparo. eu quase não reparo em ninguém, acho.

aí, um dia, quando eu não estou nem vendo nem lendo nem falando com essa pessoa, acontece. weeeeeeee, vem uma avalanche de coisas gritantes por dentro de mim, ondas de hormônios talvez, e pronto, tô apaixonada. fico pensando nessa pessoa e nessa coisa específica dela, detalhezinhos sempre, e penso 'ah fulano/a...'.

explicar como é esse pensar também é difícil, porque não é tããããão parecido assim com aquele outro apaixonamento. eu não tenho, por exemplo, vontades loucas de ter contato físico com a pessoa, não há interesse amoroso-sexual. ela não fica me atormentando por dentro o tempo todo. ela não entra no meio do caminho e fica acenando e sorrindo enquanto eu suo. eu tenho, sim, vontade de ter mais contato. passivo, ativo. interagir, ser voyeur. depende. quero olhar mais, ler mais, ouvir mais. acho que vou ter um troço quando acontecer, vou passar ridículo, ficar corada, perder a fala etcoetera etcoetera.

geralmente não é. na hora eu fico muito bem, quando tenho o contato de novo. nem penso no apaixonamento; inclusive, ele murcha bem murchado. isso não dura muito também. às vezes o surto vem e vai em um, dois minutos. aí ele se repete por uma, duas semanas. e pronto, a pessoa ou volta a ser só uma pessoa (entre as pessoas só pessoas, eu vario entre o basicamente entre o tédio e a irritação, tenho preguiça de responder os contatos - acho que não vale o esforço -, presto menos atenção) ou se torna, por algum tempo, uma Grande Pessoa (uma Grande Pessoa merece mais atenção, aparece mais frequentemente na minha cabeça, continua a ser admirada por detalhes; mas sem ataques maníacos), ou entra no hall de sobreviventes (gente que me aguenta e que eu aguento, com uma frequencia razoável, sem grandes dramas nem arroubos, por um período de tempo que se estende sem que eu enjôe delas e sem ficar muito malcriadinha).

nah, não vou ficar tentando classificar as gentes, porque senão logo me aparece alguém pra saber onde está e no fim das contas não vai estar em categoria nenhuma porque cada coisa é uma coisa, cada gente é uma gente, e o tempo sempre é tempo, mas... eu queria dizer que eu me apaixono assim, desse outro jeito, um monte. por gentes, objetos, filmes, histórias, sons, frases, músicas, luzes. e é tão bom. talvez seja isto, junto com Meu Grande Amor, que me faça só ver patético na maioria das relações pseudo-amorosas entre as outras pessoas.

parece, sabe, que tanta gente fica girando ao redor de quem gosta ou deixa de gostar, de quem quer ou deixa de querer, de quem fode ou deixa de foder, sendo que... a vida não tem um eixo só. tem tanta paixão no mundo, tanto interesse e desinteresse, que é ridículo se apegar a um tipo de sentimento, um, apenas um relacionamento específico entre você os outros, quando tem tantos caminhos & descaminhos.

tam grande desejo, pra tam curta vida.

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