28.8.04

esquizoide

ao mesmo tempo em que eu estou completamente ferrada, estou completamente feliz. esquizóide, talvez.

disseram que pra não esquecer, a gente tem que agir. falar ou escrever ou dançar rituais macabros. senão o tempo vai, os mortos apodrecem, seus peitos caem e puf. entre um agora e outro, eu fico lembrando, daí.

pros meus mortos não morrerem de todo.

tô lá, no trabalho, ajeitando aquelas bibliografias incompreensíveis e lembrando de quando minha mãe me colocava em cima da penteadeira e eu dançava brother louie no espelho. eu cabia na penteadeira e tudo.

tô andando completamente carregada de mochila & sacolas pelas ruas cheias de folhas de barão geraldo e lembro de quando eu fiquei sentada no pátio da etufpr com uma bexiga cheia de água (e não, eu não joguei em ninguém) que parecia um coração pulsando se você desse uma apertadinha.

tô numa das medonhas aulas de educação e enquanto a professora fala da LDB eu vejo perfeitamente como a luz me acerta azul por causa da cortina e minha barriga gruda com cheiro de fruitas num braço que não é meu.

essas coisas.

pensei em fazer um blog comunitário de lembranças, pra compartilhar memória & esquecimento. alguém se interessa?

ps. "we looked down at ourselves in the mirror, not as one might watch pornography starring oneself but to confirm the happy fiction that we were in each other's arms."

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