3.7.04

sonhos

i would not fear the apple nor the flood
nor the bad blood of spring

(this world is half the devil's and my own)

and what's the rub? death's feather on the nerve?
your mouth, my love, the thistle in the kiss?

eu tive dois sonhos hoje & acordei completamente suada dolorida inchada abalada descabelada perturbada. culpa de ficar não só lendo mas também ouvindo o d.thomas madrugada a dentro além de levar essa vida de silêncios que brotam em tinta de caneta rosa roxa vermelha num bloquinho escondido por baixo das provas que eu tenho que revisar.

culpa dessa vida & das gentes todas que passam por ela, fazendo estragos risadas espirros corridas (fuja enquanto há tempo), quem nem existe mas que fica lá latente morno disfarçado, pra me atacar quando eu durmo e sou mais fraca e abalar as raízes dos meus nervos.

no sonho n. 1, que era mais suave, eu ia pra londres com o r e era gostoso planejar as viagens nos mapas, decidir onde comer, os ônibus, pegar as roupas pro inverno, usar sempre meia. possivelmente sonhei com isso porque fico pensando na outra viagem, mas que londres que nada. o negócio é que agora eu quero é londres. o que fazer?

::pensa::

o sonho n. 2, o problemático, era um filme. no sonho eu sabia, 'estou vendo um filme assim' e era uma garota jovem, tipo a natalie portman que se apaixonava pelo mesmo cara que a mãe e era tipo minha mãe é uma sereia, elas problemáticas e o cara bejando tudo e tal. o sujeito lembrava o colin firth, mas não tanto. a mulher eu sabia que era uma atriz famosa - era um filme, diabos! - e fiquei lá, assistindinho.

aí que o filme acabava numa rua lotada de gente, embaixo de uma garoa gelada, as duas fugindo de alguma coisa, sujas & cansadas & manchadas de lágrimas e encontravam o tal cara e ele falava 'graças a deus vocês estão bem!' ou qualquer coisa brega do gênero e abraçava as duas e bejos bejos bejos. cortava pra uma cena na casa delas, com a menina vendo TV deitada de bruços no chão - era um show de jazz em preto e branco, possivelmente swing swing swing tocando -, no meio de várias almofadas xadrezes, e dava pra ver a mãe dançando atrás de uma porta translucida atrás dela e você pensava que tudo tinha ficado bem.

aí começavam a subir os créditos.

aí chegava o sujeito. ele puxava a menina do chão e eles dançavam e riam da música. a mãe abria uma brecha da porta, olhava e ria. congela imagem. apagam-se as luzes. eu sei que todo mundo saiu do cinema.

o filme continua.

a mãe fecha a porta translúcida e some. o sujeito e a garota começam a se beijar feito loucos, caem no chão, esfregação, boom boom boom os tambores da música. eles saem de casa como se estivesem bêbabos, o prédio é todo cheio de corredores escuros, você bem imagina. os dois vão parar numa espécie de laboratório (clínico? químico?) com uns aquários bem compridos com coisas fosforecentes boiando dentro da água & são esqueletos de gente. ficam olhando. aparece uma moça de branco e explica que precisa usar um negócio tipo aquelas capsulas de remédio, só que maiores, pra pegar o líquido. pega. eles fazem igual. saem tipo uns cristais em neon. a mulher diz que eles tem que devolver porque é perigoso blablabá. a menina devolve, o cara esmaga a cápsula e joga no líquido. saem.

do lado de fora, é londres de novo, do outro sonho, e eu posso ver eu e o ricardo atravessando a rua enquanto o sujeito para a menina numa esquina e entrega pra ela o cristal que ele tinha escondido. falam sobre relógios, aquilo é um relógio, vai dentro de um relógio, alguma coisa assim. aí não me lembro direito, tinha uma parte num carro, eles voltam pro prédio, bejação louca etc etc etc, trepação.

o tempo todo eles ficam conversando com uma intensidade de assustar mas não sei mais o que era, era sério, era suado, era cheio de exclamações, eles eram intelectuais, eles se conheciam há séculos, eles não se conheciam, juro que ele disse my wordy wounds are printed with your hair e beijou o cabelo dela.

é uma história normal, poxa, não é como se ela tivesse doze anos & se chamasse do-lo-res. não. não é como se alguem morresse ou corresse ensanguentado jurando vingança. não é como se fosse necrofilia estupro pedofilia. tô acostumada a fazer saber ler coisa bem mais pesada do que quelquer coisa que eles tenham feito. mas eu acordei em frangalhos, suada dos pés à cabeça, o corpo pulsando, como tivesem em dado aquela porra de cristal que eu não sei descrever mas que era a própria morte olhando de dentro de um pedaço de vidro.

tic tac tic tac.

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