28.6.04

babel

à sombra [das ruínas] de babel
(que babel nunca foi mais do que ruínas, mesmo. ou plano de ruínas.)

meu coração é um balde despejado
como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
a mim mesmo e não encontro nada


sursum corda!
elevai os corações, ó fieis!
(ó fieis, ó infiéis)
sursum corda, sursum corda
até parece que dessa vez vai dar.

já tá escuro faz tempo, tanto tempo...
nas suas celas no topo dos arranha-céus,
milhares de monges monjas penitentes
fazem suas preces

uocat uocas uocam
in uoco, invoco
aqui pra dentro, por dentro
(os outros só te chamam,
mas eu invoco, você não vê?)

sabe aquele dia?
eu juro que estava só brincando.
mea culpa, mea maxima culpa,
as cordas macetando corpo
lambendo rastros em baixo relevo
yes, lick me all ooooooooover...
(eu mereço, eu não mereço)

me falaram bem assim
vão te enfiar uma maçã na boca
& depois te assar feito um porco de ano-novo

e eu não acreditei...
ou, pra dizer a verdade
(e a mentira)
acreditei até demais.

fiz pose no meu trono, usei a coroa de papel alumínio,
deitei na bandeja só de biquini.
vita brevis brevissima.
remoí minha sina de voyeur míope,
cantei uma litania atrás da outra.
(não tem hermenêutica que explique
esse tipo medonho de profecia)
nada.

mas...
se eu pedir de joelhos, você vem?
uoco, in uoco, inuoco, invoco...
porque a única coisa que não me deixa,
a única coisa que você me deixa
é esse ronronar oco e sarcástico,
decifra-me & foda-se
e ah, eu faço o que eu posso...
assim na terra como no céu,
amém.

-

the ende. eu que fiz. limpe os sapatos antes de pisar.

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