1.5.04

tree you are,
moss you are,
you are violets with wind above them.
a child - so high - you are,
and all this is folly to the world.


ela é assim, tem todas as curvas no lugar, menos as circunvolunturas do cérebro - essas são todas desarranjadas & até quem sabe nômades. por dentro ela tem rins quase falidos & um coração que misteriosamente ainda bate. por fora, cabelo cabelão & unhas comidas. um par de olhos, um par de mãos, uns pares de buracos.

não é exatamente boazinha ou esforçada, e às vezes pega uma voz lá dentro da medula sussurrando que é pra guardar essas pedras no bolso & baixar a guarda. ela vive meio de sentinela, esperando ataques súbitos às suas muralhas nuas, que cercam e protegem uma alma que dança como a chama de uma vela fraca. efêmera, instável.

já reparou no jeito esquisito que os prédios têm de fazer sombra uns nos outros? ela foge dessa escuridão alheia. ela vive na sombra, mas na própria sombra. cortinas fechadas durante o dia; na rua, o cabelo tapando os olhos.

pelas frestas de luz, ela procura sinais. o tempo todo. sinais sinais sinais. o que mais interessa é aquilo que tentam esconder mas escapa. num arcar de sobrancelha, tom de voz, esbarrões, sintaxe absurda, dedos vagando inconscientes nos botões.

e tudo isso é só besteira pro mundo.

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