27.5.04

no olho do universo

o gosto de pastilha pra garganta
o céu desbotado
folhas se debatendo na curva
minha boca e a sua num corredor
cheio de vento
cheio de silêncio
cheio de nada.
de longe
vêm ecos de restos de riso
como ondas mornas e inesperadas
- ofego e não sei o dia da semana.
se não estivesse encostada na parede,
caía.
(um fruto pesado demais
pra essa árvore retorcida)
a distância é mínima
sua boca e minha boca, sua mão e minha mão
mas ninguem se inclina,
nem um milímetro
fico completamente sozinha, no olho do universo,
e observo apática e apagada
seu rastro de poeira cortando o vácuo.

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