18.4.04

escrevi o seu nome com giz de cera
na parede do meu quarto
o tempo todo me espiando, seus olhos
pretos pretos pretos
você nunca pisca?
como num carrossel o seu corpo foge
do meu
em círculos perfeitos
desculpe,
fico fraca com essa hemorragia
a febre, o sono agitado
prometo não ligar essa madrugada
só pra te ouvir respirando
prometo não roubar os bilhetes
das outras
prometo não andar descalça no chão frio
prometo parar de pensar que posso morrer
prometo comer salada
prometo
(se eu engulisse o bisturi, a voz sumia?)
prometo não repetir
não vou ficar mais encarando o espelho
seu nome refletido ao contrário
letras gregas, ruínas amareladas
no meu céu da boca
ouch
outra estrela cadente.

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