15.3.04

a sensação não é de frio nem de calor, mas não há meio-termo. é sempre esse pulsar delicado que se fixa no corpo a qualquer hora do dia. minha vontade é uma ambulância numa saída de emergência. muitas vezes tento esquecer tudo isso & tento esquecer meu coração batendo, mas não consigo & fico doente. as sirenes gritam à noite & a noite é o tempo todo.

o espaço em que sigo é sempre escuro e árido. minha obsessão (nem sei se pode ser chamada assim, essa palavra não parece muito certa), embora incompreensível ou ridícula para você, não tira o mistério de coisa nenhuma. é simples: o nome dele é uma palavra no alto de uma página e significa um poema iniciado, iniciado, iniciado mas inacabado.

um dia depois do outro eu olho o topo dos telhados em busca de um sinal qualquer, mas são sempre só nuvens. lá em cima, só nuvens.

e o que tá aqui em cima era, num passado remoto, do breat easton ellis, no rules of attraction. mas depois de passar pelo meu cérebro e pelos meus dedos, é outra coisa. corto a pontuação, troco palavras, arranco frases inteiras, enfio outras. é outra cara, são outras palavras, um outro significado. o gênio é, em parte, dele. mas a alma é minha. pra ele era ficção, era uma boca imaginária falando. agora é a minha. e é verdade.

o que fica é a sirene da minha urgência, piscando. o eco do coração que enche o quarto todo. a doença. o inacabado. o mistério.

e claro, a atração. o mundo gira atrás do desejo. e eu quero.

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