29.2.04

"where did you go
after you wrote me
from Devonshire
about raising potatoes
and keeping bees?
what did you stand by,
just how did you lie down into?"

(sylvia's death, sexton)


choveu a manhã toda, eu dormi
o telefone tocou
"ela se enforcou na garagem",
eles disseram.
o lençol azul balançando
por trás dos meus olhos.
"roxas, roxas as mãos"
os seus dedos tinham segurado os meus,
me ajudou a descer as escadas.
e depois?
depois a noite caiu e ela desceu sozinha.
não sei onde foram parar os olhos
iguais aos meus
(de família)
e o sorriso
tão diferente.
"você volta? você vem?"
eu não vou.
não tenho o que fazer.
o lençol azul balançando,
os meninos gritando, alucinados,
o telefone sempre na caixa postal.
por que ela ficou com o livro
se não ia ler?
o corpo dela apodrece e o meu sua, vivo.
quase vomito mas não posso dizer
o seu nome.
um belo talhe.
"eu não tenho fotos de nós duas", ela disse
(antes, duas, quatro, seis horas antes?)
as que eu tenho, juro que não quero ver.
o livro dela pesa como uma bigorna
na minha escrivaninha.
o lençol balançando.

---

uma semana. uma semana é tempo demais, tempo de menos. onde foi parar a minha semana? já passou uma semana? a semana acabou. foi semana passada.

uma semana passei em pasárgada & sou a própria rainha. uma semana, sete dias, ele passou comigo e segurou a minha mão. de domingo a domingo, uma semana.

meu corpo de repente fica tão vazio.

No comments: