11.2.04

"apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
é um universo barato."

eu podia falar de um monte de coisa, porque sempre penso um monte de coisa & sempre tem mais coisa acontecendo & entrando aqui, na minha cabeça, mas não sei do que falar ou se quero falar ou se é conveniente falar & aí só falo merda.

podia falar, "just look into my eyes... what’s in your mind, said and done, won’t happen save your tongue" ou coisa similar, pra dizer que nah, é outra coisa.

podia falar que o médico é um trouxa, porque ele disse que as cólicas iam diminuir, o fluxo ia diminuir e a minha pele ia melhorar; mas eu acordei com cólica ontem às 5h00, sinto praticamente jatos saindo e minha pele continua medonha. só falta eu ficar grávida pra completar.

não que eu não goste de ficar menstruada, sério, eu gosto. a cólica nunca foi muito blargh pra mim e eu me sinto, erm, natural quando vem tudo aquilo lá de dentro. do teeeeeeeemplo. a Paglia disse que isso fazia as mulheres saberem instintivamente que não existe livre-arbítrio, porque não foi minha escolha me esvair em sangue todo mês e não posso fazer nada. mesmo os anticoncepcionais modernosos ainda exigem pausas, pelo menos anuais, pra regularizar o corpo.

o corpo. o que a Paglia queria dizer é que a mulher segue o ritmo da natureza, pouco importa o que ela decida fazer da vida. querendo ou não ter filhos, o corpo quer mais é procriar, o miserável.

quando eu digo que gosto, é porque me sinto mais natural, como se tudo pudesse ser perdido no asfalto, mas não isso. não isso. sou gente, menina (reluto em dizer 'mulher', reparem só), tenho coisas secretas que outrora foram lacradas num vaso que provoca, mesmo em mim, profanação & violação.

sei lá.

podia falar que eu me sinto plain e sem assunto, como se eu fosse a pessoa mais desinteressante do mundo. ou pior, interessante por dentro mas praticamente incapaz de cuspir qualquer coisa que valha a pena.

::bate a cabeça no teclado::

e tagarela, por incrível que pareça.

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