4.12.03

"He's got my number I must confess
One look in his eyes and I feel undressed
He can see right through all my little games
He's got my number, he has my name

All of the world's standing at his door
He doesn't even care what they're waiting for
And every mistake that I ever made
Every little sin is on his display"

Andei falando bastante sobre amor nos últimos tempos. Tentando saber o que os outros acham, o que acreditam, o que sentem. Esclarecedores diálogos com o R o tempo todo, com a V durante tardes mormacentas e com o Sh numa noite dessas, em que ele me diz que acredita em One True Love porque eu e o Ricardo existimos.

Eu não acredito em almas gêmeas. Alguém destinado pra você, com quem você pode ser feliz ad infinitum. Eu acredito é em acaso & necessidade. Tem tanta gente no mundo pra você conhecer, e tão poucas que fazem alguma diferença... eu sou extremamente liberal, acredito em gostar dessas poucas que fazem a diferença de muitos jeitos. Só que vai ter sempre A Pessoa, o tal one true love, no sentido de ser aquela por quem você abriria mão das outras. Aquela que te toca lá dentro, sem nem tentar.

Na Insustentavel Leveza do Ser tem uma coisa que explica bem isso. O Kundera fala assim:

"Parece que existe no cérebro uma zona específica, que poderíamos chamar memória poética e que registra o que nos encantou, o que nos comoveu, o que dá beleza à nossa vida. Desde que Tomas conhecera Tereza, nenhuma outra mulher tinha o direito de deixar marca, por efêmera que fosse, nessa zona do cérebro dele.

Tereza ocupava como déspota sua memória poética e dela varrera todos os vestígios das outras mulheres. Não era justo porque, por exemplo, a jovem com quem fizera amor no tapete durante a tempestade não era menos digna de poesia do que Tereza. Mas não havia lugar para ela na memória poética de Tomas. Só havia lugar para ela no tapete."

Não é questão de justiça ou merecimento. É só assim mesmo. Tem pessoas que eu penso que poderia amar até, que têm qualidades muitas que me atraem com uma vertigem deliciosa, que fazem com que eu me sinta bem, que beijam gostoso, que me deixam com um sorriso quase perpétuo colado na cara. Mas não é todo mundo que eu amo assim. É só um, só ele. Ele que é o meu grande amor.

Me lembra aquela música que diz "You've got the cutest ass in town / And your eyes shine in deepest brown / But there's one thing that I miss / It's called the one and only kiss". Não basta fazer alguém rir, ter uma bundinha gostosa ou empurrar fulano contra uma parede. Ou você é A Pessoa, ou não é. E algumas coisas simplesmente não são.

Se ele, o meu amor, pode me desmontar num estalar de dedos, não é porque ele 'nasceu pra mim'. O que eu sinto por ele foi a gente que fez, junto, conforme a nossa necessidade. Foi o acaso que jogou a gente numa caixa, junto com mais um monte de outras gentes, mas o que fez com que nós ficassemos assim não foi uma força maior. Foi a nossa força.

É nisso que eu acredito. No que eu faço, no que eu sinto. E eu sei, sim, que amor existe. Não preciso me esforçar pra saber.

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